Português Irado

SINTAXE 3 – Tipos de sujeito. As diversas faces do sujeito.

NOÇÕES DE SINTAXE – ROTEIRO Nº 3

1 – TEMA: Tipos de sujeito: simples, composto, indeterminado, inexistente. Palavras ou expressões que podem exercer a função de sujeito. Situações onde não existe sujeito. As outras faces do sujeito.

2 – PRÉ-REQUISITO: Ler com compreensão. Ter concluído com êxito, o estudo dos Roteiro 1 e 2 desta Série.

3 – META: Este roteiro foi elaborado com o objetivo de:

. desenvolver habilidades de interpretar textos

. proporcionar condições para:

-        identificação do sujeito da oração e sua classificação;

-        identificação da classe gramatical da palavra-núcleo do sujeito;

-        identificar situações onde não existe sujeito da oração.

4 – ATIVIDADES DE ESTUDO: Ler com entendimento é pré-requisito para se aprender qualquer coisa atra­vés da leitura. Por isso, leia o texto do Anexo A para treinar sua interpretação. Embora a leitura dos anexos em si seja também interpretação de texto, ela é voltada para uma finalidade mais específica que é a apren­dizagem dos conceitos gramaticais. O texto do Anexo A é mais genérico e serve de treinamento para a compreensão geral da língua. Portanto, faça o seguinte:

a) Tenha um dicionário de Português ao seu alcance, para consultá-lo sobre as palavras que você desco­nhece o significado;

b) Procure um lugar sossegado para os textos e fazer os exercícios;

c) Leia primeiro o texto; faça em seguida os exercícios; compare suas respostas com o gabarito e veja o que errou; retorne ao texto para verificar o porquê do erro.

5 – PÓS-AVALIAÇÃO: Após ter feito o estudo dos textos e os exercícios, responda às questões propostas na Auto-avaliação. Creio que você agora, acertará todas. Caso isso não aconteça, consulte as orientações dadas nas Atividades Suplementares.

6 – ATIVIDADES SUPLEMENTARES: Se você não conseguiu alcançar 80 pontos na Pós-avaliação, volte à leitura dos textos, agora com mais atenção. Sem pressa. A leitura com compreensão é a base da aprendi­zagem.

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ANEXO A – INTERPRETAÇÃO DE TEXTO

MEUS PRIMOS

1.          R. G. era um demônio. Mais atleta, mais afeito à terra que qualquer um de nós, era uma espécie de Tarzan, filho do mato e do rio, diante da nossa meia tendência para o asfalto.

2.          Numa tarde, resolvemos caminhar pela estrada de ferro – e outra coisa não pretendíamos senão dar uma olhada na filha de um vigia novato, morena carregada, de olhos verdes e longas tranças que, de tardinha, lavava os pés, enfeitava a cabeça com uma flor e vinha para o patamar de casa tocar viola de 12 cordas e cantar “Suçuarana”.

3.          No meio do caminho, demos com a ponte de ferro feita de trilho, dormentes e mais nada, onde só o trem podia passar. R. G. teimou que atravessar seria uma canja, andando por cima dos dormentes. E se o trem viesse? – aventamos essa perigosa possibilidade. Não ligou. Nós ficamos no barranco do rio e ele começou, sozinho, a travessia.

4.          De repente, parecia coisa do diabo, o trem saiu da curva, a 100 metros da ponte. R. G. ia exatamente na metade e não tinha tempo de correr para frente ou para trás. Fechamos os olhos, pensamos em Deus por sua alma de 16 anos. O trem passou, houve um minuto de pausa e, depois, R. G. apareceu no mesmo lugar, (…), gritando que não seria a locomotiva da Great Western que o mataria tão jovem.

5.          Garoto de incrível presença de espírito, quando viu o trem à sua frente, agachou-se, segurou, com as mãos, um dos dormentes e deixou o corpo pendurado. Depois que passaram os 12 vagões, suspendeu-se como num exercício de barra e começou a rir do estado de pânico em que estávamos.

6.          O maquinista, ao chegar à estação de Gameleira, a dois quilômetros dali, entregou-se à polícia, confessando que tinha matado um menino da usina Cachoeira Lisa.

Marque com X o sinônimo da palavra ou expressão em destaque.

1. Em: “R. G. era um demônio.” (par. 1).  A palavra destacada pode ser substituída por:

a. (   ) animal     b. (   ) moleque malvadoc.    (   ) rapaz travesso   d. (   ) ignorante

2. Em: “Mais atleta, mais afeito à terra…” (par. 1), a expressão destacada pode ser substituída por:

a. (   ) mais insensível à terra        b. (   ) mais acostumado à terra

c. (   ) mais desabituada à terra    d. (   ) mais preocupado com a terra

3. Em: “… diante da nossa meia tendência… “ (par. 1), a expressão destacada significa:

a. (   ) desprezo     b. (   ) inclinação     c.(   ) amor       d. (   ) preocupação

4. Em: “… dar uma olhada na filha de um vigia novato…” (par. 2), a palavra destacada indica que o vigia:

a. (   ) tinha pouca idade           b. (   ) era ingênuo

c. (   ) ano tinha experiência     c. (   ) estava a pouco tempo naquele lugar

5. Em: “E se o trem viesse? – aventamos essa perigosa possibilidade.” (par. 3). A palavra destacada pode ser substituída por:

a. (   ) insinuamos         b. (   ) verificamos

c. (   ) investigamos      d. (   ) propusemos

6. Em: “Garoto de incrível presença de espírito…” (par. 5), a palavra destacada significa:

a. (   ) irreal       b. (   ) inútil      c. (   ) inacreditável      d. (   ) incansável

Responda com suas palavras, de acordo com o texto:

7. O autor caracteriza R.G. como uma espécie de Tarzan, mais afeito à terra, enquanto que os outros meninos estavam mais habituados à vida da cidade. Explique a expressão “nossa meia tendência para o asfalto.” (par. 1)

8. Ter presença de espírito significa saber sair de situações difíceis, inesperadas ou embaraçosas. Como R. G. conseguiu sair da situação difícil que, de repente, lhe apareceu?

9. A partir do texto, encontre três características do personagem R. G.

10. Transcreva o trecho do texto que indica o motivo pelo qual os meninos saíram de casa naquela tarde.

11. Identifique e transcreva o trecho do texto em que há momento de intensa expectativa e emoção, em que não se sabe o que vai acontecer.

12. Por que o maquinista entregou-se à polícia?

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GABARITO – 1. c     2. B      3. b   4. D    5. A    6. C

7. A expressão foi utilizada pelo autor para indicar que esses meninos estariam mais habituados à vida da cidade, porque uma das características das cidades são as ruas asfaltadas.

8.  Quando viu o trem à sua frente e não tendo tempo para recuar ou avançar, R.G. agachou-se, segurou os dormentes com as mãos e então, soltou o corpo, ficando pendurado.

9. O texto indica as seguintes características: corajoso, travesso, decidido, brincalhão.

10. Você deve ter transcrito todo o parágrafo 2 do texto.

11. Início do parágrafo 4 até “16 anos”.

12. Porque julgara haver matado R.G.

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ANEXO B

SIMPLES (claro/oculto), COMPOSTO, INDETERMINADO, INEXISTENTE (oração sem sujeito),

A. SUJEITO SIMPLES (claro ou oculto)

Vamos continuar nosso estudo sobre o sujeito. Observe o sujeito das orações abaixo:

1.              Crianças passeiam no parque.

2.         As crianças passeiam no parque.

3.              Crianças alegres passeiam no parque.

4.   Muitas crianças alegres passeiam no parque.

Se fizermos a pergunta ao verbo quem passeia no parque? Vamos encontrar como resposta:

  1. crianças    2.As crianças   3.Crianças alegres    4. Muitas crianças alegres

Encontramos o sujeito de cada uma delas. Mas, você percebeu que existe uma dentre as palavras que formam o sujeito, que possui um peso maior de significado? É a palavra criança. Ela é básica, indispensável ao significado do sujeito. A palavra que tiver essa carga significativa dentre todas as que formam o sujeito será chamada de núcleo do sujeito, pois é em volta dela que “as, alegres, muitas” se agregam.

Quando encontramos o sujeito da oração e ela apresenta apenas uma palavra básica, dizemos que este sujeito é simples. Concluímos então que:

Sujeito simples é aquele que apresenta apenas um núcleo.

No Roteiro anterior (n° 2) vimos que o sujeito pode ser representado por:

  1. substantivo.

Ex: “Deu nome o homem a todos os animais… (Gên. 2:20)

2. pronome pessoal.

Ex: “… tu lhe ferirás o calcanhar…”(Gên. 3:15)

3. pronome demonstrativo.

Ex: “Este te ferirá a cabeça…”(Gên. 3:15)

4. pronome relativo.

Ex: “Quando ouviram a voz do Senhor Deus, que andava no jardim pela viração do dia… “ (Gênesis 3:8)

5. pronome interrogativo.

Ex: “Quem creu em nossa pregação?” (Isaías 53:1)

6. pronome indefinido.

Ex: “Ninguém pode servir a dois senhores…” (Mateus 6:24)

7. numeral.

Ex: “Então, dois estarão no campo…” (Mateus 24:40)

8. verbo.

Ex: “… o saber ensoberbece… “ (I Coríntios 8:1)

9. oração.

Ex: “Não é bom que o homem esteja só.” (Gênesis 2:18)

Os exemplos dados (com exceção do número 9, que era anteriormente classificado como sujeito oracional) podem ser classificados como sujeito simples.

Às vezes, o núcleo do sujeito não vem expresso na oração, mas nós podemos identificá-lo. Observe os exemplos

“… e não se envergonhavam.” (Gên. 2:25)

“És agora, pois, maldito por sobre a terra… “(Gên. 4:11)

Pela forma dos verbos – envergonhavam, és, – podemos entender que o sujeito é “eles, tu”:

“… e (eles) não se envergonhavam.”

“(tu) És agora, maldito por sobre a terra…”

Desse modo, o núcleo do sujeito simples, pode estar oculto, subentendido, isto é, pode não vir expresso na oração. Concluímos que o sujeito simples pode estar claro ou oculto, na oração. Ele existe e é conhecido!

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B.  SUJEITO INDETERMINADO

Observe as orações abaixo:

- Mataram uma moça! comentava-se dentro dos bares.

“Investigou-se o caso…”(Ester 2:22)

“Ouviu-se um clamor em Ramá…” (Mateus 2:18)

Nos exemplos dados, sabe-se que o fato expresso se refere a alguém. Mas não é possível determinar exatamente quem matou, comentou, investigou, ouviu. Conclui-se que:

O sujeito indeterminado existe mas não pode ser identificado na oração.

O sujeito indeterminado pode aparecer sob duas formas:

  1. com o verbo na 3a. pessoa do singular seguido do “se” (chamado de índice de indeterminação do sujeito).
  2. com o verbo na 3a. pessoa do plural.

MAS, FIQUE ESPERTO!

1. Nem sempre o verbo na 3a. pessoa do singular acompanhado do “se” ou na 3a. pessoa do plural, vai indicar que o sujeito é indeterminado. É necessário que o contexto, isto é, o fato que está sendo informado num texto mais abrangente indique que não é possível determinar o sujeito.

Às vezes, na oração, o verbo aparece nas situações acima citadas, mas sabe-se sobre quem estamos afirmando algo. Quer ver?

Os alunos voltaram das férias. Contaram muitas novidades.

O verbo contar aparece na 3a. pessoa do plural (contaram) numa oração considerada independente gramaticalmente. Entretanto, o que se afirma nessa oração tem muito a ver com “os alunos” da primeira oração. Neste caso, o sujeito será simples e oculto ou subentendido, pois estamos falando dos alunos que, ao voltarem das férias contaram muitas novidades.

2. Quando na frase aparecer o sujeito representado por um pronome substantivo indefinido, não devemos classificar o sujeito como indeterminado e sim como sujeito simples.

Ex: Alguém roubou minha bolsa. Alguém = sujeito simples

Muitos morreram soterrados. Muitos = sujeito simples

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C. SUJEITO COMPOSTO

Observe a oração:

“Nesse mesmo dia entraram na arca Noé, seus filhos Sem, Cão e Jafé, sua mulher e as mulheres de seus filhos.” (Gên. 7:13)

Façamos a pergunta ao verbo: quem entrou? Resposta: Noé, seus filhos Sem, Cão e Jafé, sua mulher e as mulheres de seus filhos.

A resposta nos apresenta várias palavras que funcionam como núcleo do sujeito, isto é, que tem peso significativo igual, dentro desta função – Noé, Sem, Cão, Jafé, mulher (de Noé), mulheres (noras de Noé). Estamos diante de um sujeito que possui mais de um núcleo – é o sujeito composto. Concluímos então que:

Sujeito composto apresenta mais de um núcleo.

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D. SUJEITO INEXISTENTE (ou oração sem sujeito)

Vimos no Roteiro n° 2 que é possível existir oração onde o que se declara não é atribuído a nenhum ser, pessoa ou coisa. Como isso é possível? Ora, existem fatos expressos em alguma orações que não são atribuídos a nenhuma pessoa ou a nenhum ser. Veja:

1. com o verbo HAVER com sentido de existir, acontecer.

“E houve copiosa chuva sobre a terra durante quarenta dias e quarenta noites.” (Gên. 7:12)

Havia fome, naquela terra…” (Gên. 12:10)

“… e tempo para todo propósito debaixo do céu.” (Eclesiastes 3:1)

2. com verbos que exprimem fenômenos da natureza.

Trovejou durante a noite.

Choveu muito.

anoiteceu.

3. com os verbos HAVER, FAZER, SER, ESTAR indicando tempo.

Faz três dias que cheguei.

Era meia-noite.

muito tempo não o vejo.

Está frio.

É fácil distinguir o sujeito indeterminado do sujeito inexistente: numa oração onde o sujeito é indeterminado, fala-se de alguém ou de algo, embora não se consiga fixar de quem ou de quê se afirma algo. Numa oração sem sujeito (inexistente) a declaração feita não se refere a nada, nem a ninguém.

Alguém poderia argumentar que se pode dizer: o trovão trovejou; a chuva choveu ou a noite anoiteceu, mas isso seria redundância grosseira, pois o trovão, a chuva e a noite nada mais são que o resultado da ação desses verbos indicativos de fenômenos naturais e no uso desses verbos não cabe um executor da ação.

Vamos exercitar.

A. Separe o sujeito do predicado; classifique o sujeito em simples, composto, indeterminado ou inexistente; e indique o seu núcleo:

1. Todos nós acordamos.

Sujeito ________________: ___________________

núcleo do sujeito: ___________________________

Predicado:

2. Aquele carro azul anda?

Sujeito ________________: ___________________

núcleo do sujeito: ___________________________

Predicado:

3. Você e eu sairemos já.

Sujeito ________________: ___________________

núcleo do sujeito: ___________________________

Predicado:

4. O cavalo e a égua relincham.

Sujeito ________________: ___________________

núcleo do sujeito: ___________________________

Predicado:

5. Ana e a irmã dela viajaram.

Sujeito ________________: ___________________

núcleo do sujeito: ___________________________

Predicado:

6. Não partiremos hoje.

Sujeito ________________: ___________________

núcleo do sujeito: ___________________________

Predicado:

7. Uns garotos sujaram a calçada.

Sujeito ________________: ___________________

núcleo do sujeito: ___________________________

Predicado:

8. Quebraram a vidraça.

Sujeito ________________: ___________________

núcleo do sujeito: ___________________________

Predicado:

9. Ana a Ari viajaram cedo.

Sujeito ________________: ___________________

núcleo do sujeito: ___________________________

Predicado:

10. Puseram sal na sopa?

Sujeito ________________: ___________________

núcleo do sujeito: ___________________________

Predicado:

11. Come-se mal, aqui.

Sujeito ________________: ___________________

núcleo do sujeito: ___________________________

Predicado:

12. Não vendemos jornais velhos.

Sujeito ________________: ___________________

núcleo do sujeito: ___________________________

Predicado:

13. Essa garota e aquele rapaz falam muito.

Sujeito ________________: ___________________

núcleo do sujeito: ___________________________

Predicado:

14. Professor, riscaram meu livro.

Sujeito ________________: ___________________

núcleo do sujeito: ___________________________

Predicado:

15. Amanheceu.

Sujeito ________________: ___________________

núcleo do sujeito: ___________________________

Predicado:

16. Está frio, hoje.

Sujeito ________________: ___________________

núcleo do sujeito: ___________________________

Predicado:

17. São seis horas da manhã.

Sujeito ________________: ___________________

núcleo do sujeito: ___________________________

Predicado:

18. Estava quente dentro da sala.

Sujeito ________________: ___________________

núcleo do sujeito: ___________________________

Predicado:

19. Há muita gente aqui.

Sujeito ________________: ___________________

núcleo do sujeito: ___________________________

Predicado:

20. Ninguém resolve nada.

Sujeito ________________: ___________________

núcleo do sujeito: ___________________________

Predicado:

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GABARITO

1. Todos nós acordamos.

Sujeito simples: todos nós  ( também chamado de lógico e agente)

núcleo do sujeito: nós ( também chamado de sujeito gramatical)

Predicado: acordamos

2. Aquele carro azul anda?

Sujeito simples: aquele carro azul (também chamado de lógico e agente)

núcleo do sujeito: carro (também chamado de gramatical)

Predicado: anda

3. Você e eu sairemos já.

Sujeito composto: você e eu (também chamado de lógico e agente)

núcleo do sujeito: você, eu (também chamado de gramatical)

Predicado: sairemos já.

4. O cavalo e a égua relincham.

Sujeito composto: o cavalo e a égua (também chamado de lógico e agente)

núcleo do sujeito: cavalo, égua (também chamado de gramatical)

Predicado: relincham

5. Ana e a irmã dela viajaram.

Sujeito composto: Ana e a irmã dela (também chamado de lógico e agente)

núcleo do sujeito: Ana, irmã (sujeito gramatical)

Predicado: viajaram

6. Não partiremos hoje.

Sujeito simples: (nós) (também conhecido como oculto ou subentendido)

núcleo do sujeito: neste caso não existe núcleo do sujeito

Predicado: não partiremos hoje

7. Uns garotos sujaram a calçada.

Sujeito simples: uns garotos (também chamado lógico e agente)

núcleo do sujeito: garotos (sujeito gramatical)

Predicado: sujaram a calçada

8. Quebraram a vidraça.

Sujeito indeterminado: (não se pode dizer quem quebrou a vidraça)

núcleo do sujeito: (quando o sujeito é indeterminado não existe núcleo)

Predicado: quebraram a vidraça

9. Ana a Ari viajaram cedo.

Sujeito composto: Ana e Ari (também conhecido como lógico e agente)

núcleo do sujeito: Ana, Ari (sujeito gramatical)

Predicado: viajaram cedo

10. Puseram sal na sopa?

Sujeito indeterminado:

núcleo do sujeito: (não tem)

Predicado: puseram sal na sopa?

11. Come-se mal, aqui.

Sujeito indeterminado:

núcleo do sujeito: (não tem)

Predicado: come-se mal aqui

12. Não vendemos jornais velhos.

Sujeito simples oculto ou subentendido: (nós)

núcleo do sujeito: neste caso ano existe

Predicado: não vendemos jornais velhos

13. Essa garota e aquele rapaz falam muito.

Sujeito composto: essa garota e aquele rapaz (lógico e agente)

núcleo do sujeito: garota, rapaz (sujeito gramatical)

Predicado: falam muito

14. Professor, riscaram meu livro.

Sujeito indeterminado:

núcleo do sujeito: (não tem)

Predicado: professor, riscaram meu livro

15. Amanheceu.

Sujeito inexistente ou oração sem sujeito

núcleo do sujeito: (se a oração ano tem sujeito ano pode haver núcleo)

Predicado: amanheceu

16. Está frio, hoje.

Sujeito inexistente ou oração sem sujeito

núcleo do sujeito: ( não tem)

Predicado: está frio, hoje

17. São seis horas da manhã.

Sujeito inexistente ou oração sem sujeito

núcleo do sujeito: (não tem)

Predicado: são seis horas da manhã

18. Estava quente dentro da sala.

Sujeito inexistente ou oração sem sujeito

núcleo do sujeito: (não tem)

Predicado: estava quente dentro da sala

19. Há muita gente aqui.

Sujeito inexistente ou oração sem sujeito

núcleo do sujeito: (não tem)

Predicado: há muita gente aqui

20. Ninguém resolve nada.

Sujeito simples: ninguém (também chamado lógico e agente)

núcleo do sujeito: ninguém (também chamado gramatical)

Predicado: resolve nada

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ANEXO C – AS OUTRAS FACES DO SUJEITO: sujeito lógico, gramatical, agente, paciente, agente/paciente, oracional.

Existem outras classificações do sujeito que as gramáticas não apresentam porque na  realidade se referem ao sujeito simples ou composto. São elas:

SUJEITO LÓGICO – é o núcleo do sujeito acompanhado de todas as palavras que gravitam em torno dele.

Ex: “Suave é o aroma dos teus unguentos… “ (Cantares de Salomão 1:3)

Nesta oração, quando fazemos a pergunta ao verbo: quem é suave? temos como resposta a expressão “o aroma dos teus unguentos”. Este é o sujeito lógico.

SUJEITO GRAMATICAL (ou núcleo do sujeito) – é formado pela(s) palavra(s) de peso significativo, despojado de todas as outras que o acompanham, se houver.

Ex: “A resposta branda desvia o furor, mas a palavra dura suscita a ira.” (Provérbios 15:1)

Vamos analisar as duas orações que formam este período:

1a. – a resposta branda desvia o furor

2a. – mas a palavra dura suscita a ira

O sujeito da primeira oração é: a resposta branda; o da segunda é: a palavra dura. As palavras “resposta” e “palavra” são as que possuem maior peso significativo, dentre as que formam esses sujeitos. Portanto são consideradas núcleo do sujeito, também conhecidas como sujeito gramatical.

SUJEITO AGENTE – é o sujeito que pratica a ação do verbo.

Ex: “A sabedoria edificou a sua casa e lavrou as suas sete colunas.” (Provérbios 9:1).

Neste período temos duas orações:

1a. – a sabedoria edificou a sua casa

2a. – e lavrou as suas sete colunas.

O sujeito da 1a. é: a sabedoria; o da 2a. é: (ela – a sabedoria). Além de “sabedoria” ser sujeito simples, na 1a. oração, é também sujeito gramatical. Nesta frase, quem faz a ação verbal de edificar é a sabedoria, logo é um sujeito agente, isto é, aquele que executa a ação do verbo.

Na 2a. oração, temos um sujeito simples mas oculto (ela – a sabedoria) porque não está expresso nesta frase. Entretanto sabemos quem é que faz a ação de lavrar.

SUJEITO PACIENTE – é o sujeito que sofre a ação verbal.

Ex: “ … foi Jesus levado pelo Espírito, ao deserto…” (Mateus 4:1)

Nesta oração, o sujeito Jesus não executa a ação do verbo levar. “Jesus” é o sujeito, mas é o “Espírito” que faz a ação. Logo o sujeito (Jesus) é paciente.

SUJEITO AGENTE E PACIENTE – é o sujeito que faz e sofre a ação verbal.

Ex: “…enfureceu-se Herodes grandemente…” (Mateus 2:16)

O sujeito desta frase é “Herodes”. Ele faz e sofre a ação de enfurecer. É como se estivéssemos dizendo: Herodes enfureceu a si mesmo. Neste caso, o sujeito é agente e paciente.

O conhecimento desses conceitos de sujeito agente, sujeito paciente, sujeito agente/paciente são importantes, pois serão usados quando estudarmos sobre as vozes do verbo: ativa, passiva e reflexiva.

SUJEITO ORACIONAL – é a função de sujeito exercida por uma oração. Nos períodos compostos por subordinação, algumas orações podem exercer a função de qualquer termo de uma oração simples: sujeito, complemento nominal, objeto direto ou indireto, aposto, etc. Veja o exemplo:

“Então, a serpente disse à mulher: É certo que não morrereis.” (Gên. 3:4)

Neste período formado por três orações temos:

1a. – então a serpente disse à mulher – oração principal

2a. – é certo (que não morrereis) – oração subordinada substantiva objetiva direta (completa o sentido da oração principal)

3a. – que não morrereis – oração subordinada substantiva subjetiva ou sujeito oracional (é sujeito da oração é certo)

Mas, isso será estudado quando se fizer oportuno. Por enquanto você só precisa saber que o sujeito é um termo importante na estrutura da oração. E que sua identificação correta nos ajuda a interpretar os textos e, por consequência, a entender melhor o que está escrito.

Exercício.

Agora você vai classificar os sujeitos das orações do exercício do Anexo B em: sujeito lógico, gramatical, sujeito agente, paciente e agente/paciente e oracional.

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TEXTO PARA REFLEXÃO

COMO SE APRENDIA PORTUGUÊS

Era impressionante o lastro intelectual proporcionado aos adolescentes no ensino da língua portuguesa até 1971. Textos de Euclides da Cunha, Rui Barbosa e José de Alencar eram apresentados logo nas primeiras aulas da terceira série do ginásio, equivalente, depois da Reforma, à sétima série do ensino fundamental.

Veja-se o exemplo do livro Português para o Ginásio. Nele, o professor José Cretella Júnior apresentava um programa dividido em três partes: leitura, gramática e exercícios.

Nas primeiras páginas, utilizando um excerto de Coelho Neto, intitulado Mandamentos Cívicos, o aluno aprendia as seguintes novas palavras: mandamento, culto, impulsionar, pugnar, arrogância, afrontar, sussurrar, cochichar, rebuço, reverter, sobranceiro.

Imaginemos que o mesmo texto fosse apresentado aos jovens que hoje chegam ao referido estágio de sua formação (sétima série). A maioria deles sofre os terríveis malefícios de uma insólita redução vocabular, principal atrapalho para a futura redação que serão obrigados a fazer no vestibular.

Talvez os referidos autores e textos não sejam hoje os mais indicados para as primeiras aulas de estágios semelhante, mas vejamos como professores e alunos eram orientados a ensinar e a aprender. Depois da leitura, vinha a explicação do vocabulário desconhecido. A seguir, os comentários. Como Coelho Neto, parafraseando os dez mandamentos, fez um texto em dez pontos, substituindo-os por similares cívicos, o professor informava que Moisés recebera o Decálogo, que servira de referência ao escritor. E como se tratasse de aula de português, o professor explicava que no primeiro mandamento – “honra a Deus sobre todas as coisas” – o sujeito é “tu” e está oculto; o predicado é “honra a Deus sobre todas as coisas”; a forma verbal “honra” é verbo transitivo direto e o objeto direto é “Deus”.

A seguir, citando bibliografia adicional, a lição de gramática tinha continuação: “às vezes é importante o uso da preposição antes do objeto direto a fim de destruir a ambiguidade (duplo sentido) da frase”. E vinham exemplos em que o “a” é indispensável para evitá-la: “ assassinou o escravo o patrão”; feriu a fera a caçadora”; “ama o povo o bom rei”; “matou César Brutus”. As frases podem ter duas interpretações, caso não seja colocado o “a” (preposição) antes do objeto direto, com exceção da última, em que o conhecimento da História desfaz a ambiguidade. Afinal, sabemos que foi Brutus quem matou César, e não César quem matou Brutus.

Ainda nos comentários, explicava o sétimo mandamento que Coelho Neto inventara (“previne-te na mocidade economizando para a velhice, que assim prepararás de dia a lâmpada que te há de alumiar à noite”), fazendo a etimologia do verbo economizar que é resultado da junção de “oicos” (casa) e “nomos” (ordem, norma, lei, costume). E nos exercícios, começando pela Unidade I, dava nove definições de conjunção, entre as quais duas de João Ribeiro e uma de Silveira Bueno, solicitando ao aluno que, guiado pelo professor, comparasse as definições, fazendo os seguintes exercícios: 1) observar o que há de comum entre elas; 2) eliminar as palavras supérfluas; 3) deduzir uma definição mais clara, mais precisa, depois das duas operações anteriores; 4) aplicar a definição obtida a vários exemplos, para testar sua eficácia..

Concluía com dados bibliográficos do primeiro escritor apresentado e sugeria para redação o tema “as viagens instruem tanto quanto os livros”. A seguir, vinham textos de Castro Alves, Rui Barbosa, Euclides da Cunha e José de Alencar.

Essa era a primeira lição. Poucos cursos superiores alcançam tal qualidade atualmente. E estamos falando do antigo ginásio!

(DEONÍSIO DA SILVA, A Língua Nossa de Cada Dia. 1a. Edição, 2007, Editora Novo Século, Osasco/SP)

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AUTO-AVALIAÇÃO

A. Relacione a segunda coluna de acordo com a primeira tendo por base o tipo de sujeito existe em cada frase:

S = sujeito simples         C = sujeito composto         I = sujeito indeterminado       OSS = oração sem sujeito

1. (   ) Eles sempre se houveram com dignidade.

2. (   ) Pode haver fatos contrários.

3. (   ) Viam-se, através da janela, o rouxinol e a cotovia.

4. (   ) Necessita-se do apoio de todos.

5. (   ) Trabalha-se durante o dia.

6. (   ) Há pessoas generosas.

B. Assinale a única alternativa correta.

1. (Uni-Rio-RJ) Em: “Na mocidade, muitas coisas lhe haviam acontecido.” temos oração:

a. (   ) sem sujeito            b. (   ) com sujeito simples e claro            c. (   ) com sujeito composto            d. (   ) com sujeito indeterminado

2. (UFPR) Qual a oração sem sujeito?

a. (   ) Falaram mal de você.          b. (   ) Ninguém se apresentou.       c. (   ) Haverá um campeonato de basquete.

3. (Faenquil-SP) No período: “Ser amável e ser egoísta são coisas distintas.” o sujeito é:

a. (   ) indeterminado       b. (   ) ser amável     c. (   ) coisas distintas      d. (   ) ser amável e ser egoísta.

4. (PUC-SP) No período: “Em 1949, reuniram-se em Perúgia/Itália, a convite da quase totalidade dos cineastas italianos, seus colegas de diversas partes do mundo.” o núcleo do sujeito de “reuniram-se” é”:

a. (   ) cineastas        b. (   ) convite        c. (   ) colegas      d. (   ) totalidade

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GABARITO – Atribua 10 pontos a cada resposta correta. Se você alcançou 80 pontos, considere-se aprovado neste assunto.

Questão A.     1. (S)      2. (OSS)     3. (C)        4. (I)        5. (I)       6. (OSS)

Questão B.    1. b      2. c       3. d        4.  C


 
Comentários

Qndo vai ter mais aulas?

Muito boa sua página! Adorei os exercícios. Parabéns!
Amei demais o uso de exemplos do livro de Gênesis para explicar análise sintática.

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